O Dilema da Retomada


Quem imaginaria como seria o ano de 2020?

Você convocou sua equipe em meados de Setembro/Outubro de 2019 para iniciar as discussões sobre o planejamento para o ano de 2020.

O pessoal de vendas entregou as estimativas de vendas levando em consideração o crescimento determinado e/ou esperado para 2020 as metas de crescimento projetas pela matriz e/ou conselho de administração, projeções de crescimento da atividade econômica do país, câmbio etc.

As premissas para esse crescimento deram o start para as demais áreas da empresa para se planejarem…compra de matéria prima, equipamentos, redução/aumento no quadro de colaboradores, planejamento de produção, ações de marketing, planejamento logístico, ações de finanças etc.

Todos nós sabemos que o Brasil só começa a trabalhar após o Carnaval e isto porque na maioria das empresas os colaboradores planejam suas férias para os períodos compreendidos entre janeiro e fevereiro para aproveitar o verão e o convívio com suas famílias, aproveitando também as férias escolares para aqueles que tem filhos nessa idade.

Em meados de janeiro as notícias do COVID-19 começaram a circular no noticiário e redes sociais com maior intensidade e já davam o sinal (baseado nos acontecimentos na China) que o vírus se espalharia pelo mundo e que o prognóstico para essa situação seria muito grave. As informações iniciais foram na minha opinião pobre demais e extremamente confusas, o que também na minha opinião fizeram com que a contaminação se agravasse e se tornasse a Pandemia que vivemos nos dias de hoje.

O Brasil vinha com tendências de crescimento muito boas, inflação controlada, taxas de desemprego caindo mesmo que timidamente, mas com sinalizações positivas, BOVESPA com boas perspectivas etc., e ai o carnaval acabou e o país acordou para o que estava acontecendo na China e já invadira a Europa principalmente a região da Lombardia na Itália…e agora o que fazer????

Após uma semana de total aglomeração em trios elétricos, bandas de rua, seguir blocos com mais de 1 milhão de pessoas do Brasil e de todo o mundo a recomendação foi “ Fiquem em Casa”, protejam os grupos de risco (pessoas com mais de 60 anos), só deverá usar máscara quem tiver sintomas da doença, deixem os EPI’s para os profissionais de saúde, lavem bem as mãos com sabão e/ou álcool em gel 70%.

A população do país começou a ser abastecida por informações contraditórias em que um canal de TV falava uma coisa e outros canais outra coisa, as mídias não se entenderam e informações contraditórias foram divulgadas de um lado a outro.

Os governos Federal e Estaduais entraram em pé de guerra…e a população? como sempre esta é a que mais sofre, principalmente a de baixa renda, aquela que vende o almoço para comprar janta. Como sempre o povo brasileiro é solidário e ações de pessoas, empresas e governos tem diminuído (não eliminado) a dor de muitos no país.

Já em meados de março com o fechamento do comércio em geral, muitas pessoas foram demitidas e/ou tiveram um percentual significativo do seu salário reduzido, o que comprometeu as rotinas de todas as famílias. O governo Federal implementou uma ação de ajuda aos trabalhadores informais no valor de R$ 600,00 (o plano era de R$ 200,00) para que estes conseguissem manter-se com alimentação garantida pelo menos.

As empresas em quase sua totalidade, e para as atividades que eram possíveis, tomaram a decisão de implementar o Home Office, para dar continuidade nas operações e seguirem ativas, porém, muitas fábricas tiveram redução de produção e/ou paralisação de suas atividades, pois, não havia consumo para tanto.

Em finais de março e início de abril, a COVID-19 chegou com mais força ao Brasil e a população entrou em pânico. Notícias aterrorizadoras eram espalhadas nas mídias sociais e os canais de TV e jornais só veicularam o pior (porque é o que vende), poucos foram aqueles que transmitiram uma palavra de esperança e conforto a população.

Os pequenos empresários tiveram que se reinventar, os de restaurantes entrar nos App’s e entregas por delivery e/ou retirada no local. Outros tipos de comércio também entraram nos App’s e assim tentam até o momento manter seus negócios vivos, atendendo seus clientes pelas vendas por Internet.

As grandes empresas seguem o dilema da retomada das atividades no país, o que fazer? como buscar o equilíbrio nas contas, manter colaboradores, retomar produção, vendas, etc.

As empresas terão que se reinventar, refazer todo o trabalho de planejamento para o que resta de 2020 e planejar 2021 com vários cenários. O ano de 2020 na minha opinião já foi perdido, heroicos serão aquelas empresas que conseguirem terminar o ano empatando em 0 X 0, porque creio que a maioria deverá apresentar prejuízo. O que teremos que entender é que todas as empresas estarão no mesmo barco, os líderes devem pensar e agir com prudência e assertividade. Todos sabemos que 65 a 70% dos custos das empresas são representados por pessoal e sabemos onde a corda se rompe…será que esta é a melhor solução para o momento?

Líderes e Gestores devem responder quais critérios devem ser adotados para a retomada. A nova realidade dos mercados onde cada empresa atua deverá ser analisada e encima desta nova realidade os cenários de crescimento deverão ser projetados…Algumas funções podem ser reestilizadas (operacionais por exemplo) para o formato de PJ (pessoa jurídica) com finalidade de diminuir formalmente os custos trabalhistas e manutenção de colaboradores em suas atividades. Formas criativas e com menores custos deverão ser criadas sem que haja qualquer prejuízo ao desempenho das Cias.

Muitas empresas estão descobrindo que o Home Office além de ser uma opção mais humanizada de trabalho (funções que não dependam de interações pessoais no dia a dia) demonstra confiança no desempenho do colaborador mesmo não estando fisicamente na Cia., deixando a empresa de necessitar de espaços grandiosos para manter seus colaboradores (mercado de aluguéis de escritórios pode ser impactado).

Creio que muitas empresas entrarão em Recuperação Judicial como forma de pelo menos manterem-se ativas e tentarem erguer-se novamente ao invés de fechar. Grandes Cias., terão passivos muito grande e terão que equalizar junto ao governo e fornecedores. Detentores desse passivo tem que ter bom senso para tais negociações, pois, não adianta atirar em quem já está combalido, bons negociadores sempre obtêm bons resultados.

O Brasil sempre busca os caminhos mais difíceis e como já não bastasse nos preocuparmos com o COVID-19, desemprego, parada nas atividades não essenciais, criamos um adicional…a instabilidade política, a guerra entre os 3 poderes. Não vou me adentrar nesse tema político, porque hoje a paixão fala mais do que a razão.

Que tenhamos bom senso e competência para sair dessa crise…boa sorte a todos e que voltemos ao caminho do progresso.

Mauricio A. de Paula

http://www.treasurybusiness.com.br

e-mail: mauricio@tresurybusiness.com.br

6 respostas para ‘O Dilema da Retomada

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