Você já foi injustiçado no trabalho?


Pessoal boa tarde, mais um excelente texto do Eberson Terra sobre situações nas relações trabalhistas…..espero que gostem

boa leitura;

Raiva? Desespero? Impotência? Estes são alguns dos sentimentos que podem aparecer quando você é injustiçado. Aquele nó na garganta que nos abala e nos aprisiona momentaneamente ao ser colocado em uma situação que não merecia estar.

Teimarei em dizer que pelo menos uma vez, cada um de nós fora injustiçado ou julgado de maneira equivocada na vida. Afinal, a vida não é baseada na justiça, deveria, mas não é.

No início da minha carreira fui convidado pela minha empresa a participar de um curso de alto investimento. Prontamente aceitei a oportunidade! Só que apenas 3 meses depois fui selecionado para uma vaga mais sênior em outra companhia de outro estado. Eu não poderia recusar tal proposta já que ela me daria um futuro melhor e me faria crescer rapidamente na carreira.

Ao tentar explicar os motivos de minha saída no momento do desligamento, fui “julgado” pelo diretor que me concedera o curso, sob a justificativa de que usei de má fé, pois já tinha aceitado o novo emprego antes mesmo da realização do treinamento e que levaria o conhecimento que adquiri propositalmente. O que obviamente não era verdade.

Aquela situação me abalou demais, pois além do julgamento equivocado ele não afetava apenas uma questão profissional, mas também diretamente meus princípios e valores.

Tentei então sugerir o pagamento do curso com meus direitos trabalhistas, mas a empresa não aceitou, me deixando em uma situação ainda mais dolorosa: a de “dever um favor”.

Eu era novo e ainda não tinha formado uma casca dura o suficiente para suportar aquela situação e fui para a discussão. Uma decisão equivocada e imatura! O desgaste não reverteu a percepção do diretor, tampouco aliviou meu sentimento de impotência.

Ao ser injustiçado, ir para o embate pode revelar fraquezas emocionais tão devastadoras quanto qualquer sofrimento causado pela própria injustiça. Por isso é importante ter calma e analisar friamente o que possa ter levado ao julgamento equivocado.

“Quem comete uma injustiça é mais infeliz que o injustiçado. – Platão”

 O julgamento vem antes da injustiça

O julgamento equivocado precede qualquer ação que possa levar a uma injustiça. As pessoas fazem julgamento o tempo todo e tomam decisões sob o olhar dos fatos que tem à sua disposição. Mas nem sempre a concepção de uma ideia de julgamento passa por uma análise profunda e imparcial do que está disponível, além de poder carregar juízo de valores e crenças diferentes de quem está sendo observado. E assim nasce o julgamento, com a verdade construída pela coleção de dados, fatos e emoções do tomador do pensamento.

Quando o julgamento superficial e equivocado vem à tona é natural que ele vire uma injustiça, ou seja uma ação acontece para torná-lo público. Isso pode vir através de uma demissão, um feedback mal feito ou a quebra de um contrato.

Falta de empatia ou empatia apenas com os outros?

Os círculos sociais podem gerar crenças “empáticas” que prejudicam um julgamento imparcial. Já vi muita gente dizer estar sendo injustiçada por condutores mal informados ou mal-intencionados que levam dados já carregados de juízos e reflexões ao tomador de decisão, nascendo assim a influência “tóxica”. Líderes mal assessorados e que ficam longe da operação podem ser o exemplo mais comum para este tipo de situação e estão mais suscetíveis a cometerem injustiças.

Cuidado com a vitimização

Não posso deixar de salientar que um injustiçado pode e deve lutar pela verdade, mas por outro lado é de extrema prudência não cair na armadilha chamada “vitimização”. Isso acontece sempre quando alguém acredita cegamente que uma vez injustiçado, sempre será uma vítima de injustiças. Aqueles que ao invés de buscarem de maneira franca e direta a verdade, sussurram pelos cantos reclamações e murmúrios de uma vida difícil e cheia de intempéries. Nestes casos, o injustiçado não consegue sair dos sintomas que citei no início: impotência, raiva ou desespero. Ficando passivos com a própria dor. Mais um sinal de imaturidade e falta do uso da inteligência emocional.

Então o que fazer diante de uma injustiça?

Como a inteligência emocional pode te ajudar a superar ou reverter a injustiça?

  1. Identifique a injustiça: Parece controverso, mas é importante ter consciência de que sua postura esteve sempre dentro de suas convicções e quem o julgou não está correto. Esta é a primeira coisa para não cair no sentimento de você estar errado e agir passivamente na situação;
  2. Busque fatos que revelem a injustiça: Antes de qualquer ação diante da injustiça, busque entender o que levou àquele julgamento e quais fatos foram usados para ele. Identifique fatos que contra argumentam aquele posicionamento, auxiliando assim a construção de uma narrativa para convencer quem fez a injustiça quanto quem concordou com tal ato;
  3. Encontre o melhor momento para falar: Concordo que nem sempre é fácil ter espaço para este diálogo, as pessoas que tomam decisões nem sempre são acessíveis e por isso a construção dos argumentos não pode demorar. Não use momentos públicos como reuniões de trabalho com todo o time ou em convenções em que o foco estará em outro assunto, isso pode virar contra você;
  4. Parta para o diálogo: Com os fatos e a narrativa montada, entre em um diálogo franco e esclarecedor para tentar reverter qualquer mal-entendido;
  5. Se a injustiça persistiu e te prejudicou busque seus direitos: Algumas vezes a injustiça prejudica financeiramente, moralmente ou socialmente uma pessoa. Em casos em que não houve reversão, é importante sim buscar direitos, sejam eles trabalhistas, cíveis ou até criminais para reverter os problemas causados pela injustiça. Eu sinceramente a utilizaria em último caso, mas entendo ser um caminho a ser tomado em situações extremas;
  6. No fim, perdoe: Se você está consciente de que o acontecimento realmente foi uma injustiça, se buscou o diálogo em todos os momentos oportunos e mesmo assim se sentiu prejudicado ou não conseguiu reverter a postura de quem o jugou, vá adiante. Não transforme sua vida em uma série de tentativas amarguradas. Quem mais precisa saber a verdade sobre a injustiça é o próprio injustiçado.

Saiba que as injustiças nunca vão acabar, então o melhor é se precaver e saber agir da melhor forma possível diante delas. Se elas acontecerem com alguém perto de você não seja passivo, auxilie, quem fica passivo diante da injustiça é tão culpado quanto quem a cometeu!

Texto Original de Eberson Terra (LinkedIn Top Voice)

Mauricio A. de Paula

http://www.treasurybusiness.com.br

e-mail: mauricio@tresurybusiness.com.br

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