Férias sem culpa, e também sem essa de “se for urgente pode me ligar”


Pessoal selecionei mais um excelente texto sobre o comportamental dentro de algumas organizações/pessoas. Hoje é muito comum que muitos colaboradores tenham uma certa sensação de culpa quando saem de férias, e esse fato é decorrente da pressão interna de “chefes” que não olham o bem estar dos colaboradores e estão voltados somente a resultados da empresa seja la a que preço/sacrifício for.

O texto abaixo é do Rodrigo Giaffredo e descreve muito bem a sensação de culpa que muitos colaboradores sentem aosair em suas merecidas férias.

boa leitura a todos;

Alô você que espera um texto repleto de justificativas para o fato de que hoje em dia, com essa moda de times pequenos e processos acelerados, fica difícil deixar a #equipe descansar sossegada nas férias: pode escolher outro texto pra ler, porque eu não estou aqui pra defender esse sacrilégio que é exigir que as pessoas trabalhem anos sem parar nem por uma semaninha pra curtir em paz.

Agora você que entende que apesar de tudo isso, dá sim pra equilibrar as coisas, e planejar períodos de férias pra si mesmo e pra sua equipe – caso você seja #líder – vem comigo que o rolê vai ser dahora.

Cara, vou te falar por que resolvi escrever esse texto.

Primeiro porque acabei de voltar das minhas férias, que aliás sempre combino com um detox tecnológico – não atendo nem telefone, de jeito nenhum – que me faz muito bem, daí imagina o grau de #inspiração do tio aqui pra falar do assunto!

Segundo, porque toda vez que fui contar pra galera sobre minhas férias, naquele-papo-vai-papo-vem, quando eu perguntava pra outra pessoa como foram as férias dela, eu ouvia sempre variações do famigerado “saí mas não saí” sabe?

A pessoa tira os dias, mas leva celular, #computador, olha e-mail toda hora, entra em #reunião, despacha assuntos… poxa mano, sério?

Isso lá são férias aonde?

E sabe o que eu percebi, uma espécie de vergonha de dizer pra os colegas e pra o chefe que saiu de férias e que gostou de ficar desligado.

Isso, você não leu errado não, vergonha de sair de férias pra valer.

Daí fui estudar o fenômeno, porque não vejo #lógica em se sentir assim., e quando você cavuca bem, percebe que geralmente perto da hora em que a pessoa é obrigada a tirar as férias, o lance das compulsórias, começa uma chantagem #emocional da galera sabe… tipo, “então, você vai tirar férias né, mas aquele projeto que tá na tua mão, nossa tá muito em evidência, tá no radar de todo mundo… eu sei que já tá no limite pra você cancelar, mas será que não dava pra você ficar pelo menos em standby, vai que né?”

Daí a vítima, que tem uma série de motivos pra preservar seu #emprego, sucumbe à chantagem e só não cancela a viagem porque já tá tudo pago.

Eu fico imaginando a cara da família, que estava louca esperando chegar aquele momento em que todos finalmente iriam passar dias inteiros juntos, mesmo que fossem poucos, curtindo um ao outro, conversando, rindo, passeando e tirando onda sem esquentar a cabeça… só que não.

O fulano fica lá, conferindo celular toda hora, dando resposta evasiva pra criança que quer um pingo de atenção, fica emburrado com a patroa porque tem que voltar logo pro hotel pra entrar naquela reunião que vai começar já já e ela fica enrolando pra escolher a miçanga, enfim, uma bela de uma porcaria de férias do caramba né.

E durante meu devaneio eu me liguei de um #negócio, a gente pode falar o que quiser, e olha só, eu sei que essa pressão toda que eu descrevi em tom de ironia uns parágrafos pra cima existe pra valer, mas cara não tem como fugir também da nossa parcelinha básica de culpa por ter que passar esse nervoso até nas férias.

Afinal de contas, a gente sabe que o direito de tirar férias está lá, esperando pela gente, então por que não #priorizar essa parada, organizando tudo que precisa ser organizado bem, mas beeeeeem antes mesmo do período de descanso chegar?

Por que não educar os coleguinhas e o chefe sobre a importância desse momento, e tranquilizar a todos deixando as paradas mais azeitadas pra que não haja nenhum sentimento de desconforto, ou melhor ainda, nenhuma encheção de saco na sua ausência?

E olha só, vou te dizer que mesmo que toda essa organização prévia não funcione, a gente ainda tem – e sempre vai ter – a opção de dizer não pra aquela vontade loka de não ficar por fora, essa doidera de olhar e-mail toda hora, essa mania de querer se inteirar de tudo que está rolando na sua ausência, mano isso faz mal demais!

Lembrei de uma das minhas experiências profissionais passadas, ainda na #indústria automobilística, quando eu fazia hora extra demais mesmo, dia de semana, fim de semana, não curtia minhas férias, o perfeito otário sabe, e pra que? Pra nada mano, pra nada, vai por mim…

Sou bem mais respeitado e meu #trabalho é bem mais reconhecido hoje, e creio que em grande parte porque entre outras coisas aprendi a combinar o jogo com geral de forma madura e franca.

Do mesmo jeito que não respeitavam meu descanso nessa vida passada que mencionei no exemplo, não respeitavam várias outras paradas, era como se eu mesmo com o meu excesso de “#engajamento” tivesse feito com que o pessoal perdesse o respeito por mim… e pra ter o respeito de geral, a gente precisa se dar o respeito primeiro, e deixar claro pra todos qual a nossa definição particular de respeito.

Pensa comigo, estando tudo certo, ajustado, combinado e assegurado, não tem por que ficar nessa nóia aí de sair de férias e não desligar, não tem mesmo.

Vamos combinar uma parada aqui, nas tuas próximas férias, experimenta desconectar geral.

E se bater um medão, é só lembrar que a #empresa já existia antes de você chegar – e aliás ela funcionava muito bem, senão nem tinha durado até os dias de hoje – e mais, ela tem a intenção de continuar a existir por longos anos após a sua saída… então vai me dizer que no auge do seu egocentrismo, você realmente acredita que ela não vai suportar ficar 10 dias sem vossa excelência?

Quem não vai suportar esse ritmo maluco é você… a maquininha uma hora pifa viu, escuta o tio.

Férias não são motivo de vergonha, são motivo de alegria.

Agora faz um favor pra nós dois, vai lá e curte suas férias, sem culpa e também sem essa de “se for urgente pode me ligar”.

Texto Original de Rodrigo Giaffredo (Co-fundador da Super-Humanos Consultoria)

Mauricio A. de Paula

http://www.treasurybusiness.com.br

e-mail: mauricio@tresurybusiness.com.br

 

2 respostas para ‘Férias sem culpa, e também sem essa de “se for urgente pode me ligar”

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