Inove: tome ação!


Não é à toa que o T-Rex andava, não corria. Fato que tomamos conhecimento há pouco, graças às constantes descobertas (alguns podem chamar de inovação) da ciência. E o que isso tem a ver com nossas empresas? Assim como os extintos dinossauros, empresas que não conseguirem se adaptar ao seu ambiente, que vive em constante mutação, certamente já estão com suas rotas profeticamente traçadas rumo ao mesmo destino desses seres que habitaram o planeta há tanto tempo. E adaptação, no contexto empresarial, está ligada diretamente à cultura, que por sua vez anda de mão dada com o maior ativo que todas as empresas possuem: suas pessoas.

Todas as grandes empresas já foram pequenas, mas nem sempre a recíproca é verdadeira. Pessoalmente, acredito que a força motriz de toda grande empresa, o principal fator de sucesso que fez com que ela atingisse determinado patamar, foi o espírito empreendedor, a paixão, a resiliência, a força de vontade e conhecimento de causa de seus fundadores sobre aquilo que é o principal produto/serviço que aquele determinado negócio produz.

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No início, os fundadores estão tão empenhados em “fazer a coisa acontecer” que acabam contaminando todo o ambiente da empresa com seu entusiasmo e paixão por aquela ideia que está prestes a virar um baita produto ou serviço. É isso que canaliza as pessoas a darem o melhor de si em prol de um único objetivo. Essa é a fagulha da inovação que, infelizmente, na maioria dos casos das grandes empresas, vai se extinguindo. Em seu lugar, toma corpo um volume cavalar de regulamentações, regras, burocracias – só para citar alguns dos cânceres dos grandes negócios. E aí, instaura-se o princípio do fim.

Quando uma empresa administra seus negócios baseada apenas em resultados passados, e em como melhorá-los para os próximos anos seguindo as mesmas receitas, é o momento que se indaga não mais “se” ela sobreviverá, mas até “quando” ela continuará “tirando leite daquela única pedra”.

Por que? Porque empresas grandes e tradicionais pensam de dentro pra fora e não de fora pra dentro. No auge da sua arrogância e prepotência, ostentando uma marca maravilhosa, elas acreditam que as pessoas têm determinadas atitudes só por causa da empresa em que estão trabalhando – o que é simplesmente estúpido (com o perdão da palavra).

Para mim, Mário, esse é um dos pontos (excesso de ego) que mata a inovação – porque se cria a ilusão de que a empresa e sua maravilhosa marca são o centro da atenção e existência da própria empresa, ignorando o cliente ou o funcionário (ou seja, as pessoas). Assim, o foco se direciona naturalmente a lugares em que ele não deveria estar.

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Na minha opinião, uma corporação tem maior capacidade de inovar quando há nela um clima organizacional propício à inovação. Porém, este ambiente não depende de um único departamento – o RH, por exemplo. Este clima fértil à inovação reside nas ATITUDES dos seus líderes que, por sua vez, contagiam seus liderados a criam agendas favoráveis à criatividade, planejamento e execução de novas ideias.

E aqui é importante ressaltar que, quando falo de inovação, não estou falando só ou apenas de tecnologia. Estou falando de inovação de processos, de formas de pensar o mesmo problema, de olhar novas maneiras de solucionar uma necessidade antes mesmo de o cliente saber que precisa solucioná-la. Porque se esta inovação não acontecer, fatalmente a organização deixará de ser competitiva.

E como criar um ambiente fértil à inovação, com pessoas engajadas e preocupadas não com o seu próprio umbigo ou com o seu próprio departamento? Em primeiro lugar é preciso que a liderança combata a burocratização, a departamentalização e o excesso de hierarquização da empresa. Simples assim. Mas não tão fácil como parece.

Porque, por natureza, o novo tende a vir de pessoas novas de idade ou recém contratadas na organização. E quanto mais novas são, menor o nível de entrada destas pessoas no organograma para que suas ideias tenham voz. Assim, a hierarquia, quando não dentro de um terreno fértil, abafa o potencial de inovação ao engessar as pessoas em suas caixinhas e processos muitas vezes inúteis.

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É importante identificar os gargalos nos processos, quebrar o status quo e parar de incentivar este clima inóspito não medindo, por exemplo, o sucesso dos departamentos pela performance do próprio departamento, como a implementação de plano de bônus por vertical. E, sim, começar a criar uma cultura de correlação e medição de sucesso nas hierarquias horizontais, de forma que toda a empresa olhe, naturalmente, para a mesma direção, como um único corpo, onde cada célula tem sua única função, mas que é essencial para o bom funcionamento do todo. Ou seja, a virada da chave está na gestão horizontal e não na vertical.

“Mas tem o fator Brasil nisso também, né? É muito difícil inovar no Brasil”. Errado. A necessidade é a mãe da criatividade. As dificuldades e o terreno hostil proporcionado pelo próprio “fator Brasil” pode ser força motriz de incentivo à criatividade e a novas formas de pensar as mesmas, e novas soluções, propiciando a inovação de que as organizações tanto precisam para não serem extintas definitivamente. Vamos levantar desse berço esplêndido, porque só assim poderemos, de fato, dizer que nossos filhos não fogem à luta!

Não se acomode, se incomode!

 

Autor: Mario Baptista (Diretor Geral do Grupo Protege)

Mauricio A. de Paula

http://www.treasurybusiness.com.br

e-mail: mauricio@tresurybusiness.com.br

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