Recursos Humanos……ou Desumanos!!!!!


Existem momentos na vida profissional em que nos deparamos com a interrupção abrupta do nosso contrato de trabalho, seja por vontade pessoal, quando decidimos investir em outro emprego, outra carreira, empreender, etc., ou por vontade da empresa e ai enfrentamos um processo de demissão, a maioria dos departamentos de Recursos Humanos das empresas não está preparado para dar o suporte e orientação ao funcionário demitido.

Os RH’s são em sua maioria gerido por pessoas pouco capacitadas para dar suporte emocional a pessoa que está sendo desligada e não é por acaso que essa falta de suporte e inabilidade de se lidar com situações demissionárias acontecem em empresas de médio/grande porte.

Hoje a maioria dos serviços de RH são terceirizados e dificilmente estão lotados no site de trabalho dos empregados, apenas umas poucas pessoas administrativas ficam à disposição para encaminhamento de solicitações as quais nunca são resolvidas com a devida urgência a qual os colaboradores necessitam.

A atuação dos RH’s fica ainda mais complicada quando se trata de chão de fábrica, onde os colaboradores se quer conseguem se comunicar afim de levantar solicitações e/ou necessidades do departamento.

Abaixo anexo um exemplo com um texto de Rogério Cher sobre transição de carreira, com exemplo da atuação do Departamento de Recursos Humanos em um processo de demissão…ou será Desumanos??

Recursos desumanos

Ram Charan, em seu livro Liderança na era da turbulência econômica, relata a história de uma grande empresa de Wall Street. Quando dois de seus empregados voltavam do almoço, no outono americano de 2008, um deles passou o cartão de acesso pela catraca e conseguiu entrar. O outro não. Quando o primeiro empregado usou seu cartão para deixar o colega entrar, um guarda da segurança abordou os dois. Disse ao primeiro que poderia subir, mas o segundo foi informado de que, a partir das 12 horas daquele dia, não trabalhava mais para a empresa. Deveria falar com uma pessoa do RH, na sala 312, para mais informações.

Para Charan, a despeito das necessidades de cortes de pessoal, as empresas precisam evitar o que denominou de “cruel política” de recursos humanos. Bem, neste caso, que política? Que recursos “humanos”?

É claro que a experiência da demissão determinará o grau de dificuldade que o indivíduo terá em sua transição. Histórias assim não ajudam em nada! Haverá dor, tristeza e ressentimento para cuidar.

Depois da demissão é preciso trabalhar na sua transição

Existem pessoas em transição que não precisam esperar nada para iniciar seus movimentos de mercado e seus contatos, com vistas a um novo passo em suas carreiras. Há outros indivíduos – como no caso do funcionário bloqueado pela catraca, certamente – que precisam dar um passo para trás, recolher as correntes da mágoa para então postular uma nova posição no mercado. Nestes casos, o início da transição pressupõe uma etapa de reflexão. Mas refletir sobre o quê?

Na verdade, todos podem se beneficiar de uma boa reflexão, sobretudo quando relacionada a dois objetivos claros: ampliar autoconhecimento e buscar clareza quanto à visão de futuro. Esse é um túnel pelo qual entramos e em cujo trecho final enxergamos a decisão do nosso próximo passo.

É na fase de reflexão que revisitamos nossa história de vida, que nos permite identificar crenças alavancadoras e restritivas que construímos em razão das diferentes experiências em nossa biografia. É nesta etapa que exercitamos a reflexão sobre nossos estilos e motivadores, nossas satisfações, insatisfações, características pessoais, competências e realizações. De igual modo, este é o momento para ampliar a consciência sobre valores e interesses próprios. Tudo isso torna mais nítido o futuro preferido, que deve ser desejado, idealizado e planejado, tendo nosso propósito de vida como “guarda-chuva” das escolhas que faremos pelo caminho.

Uma boa transição passa por experimentos práticos

É fácil perceber o benefício que tiramos de uma boa reflexão. Precisamos, no entanto, estar alertas para que a reflexão:

1) não sirva de desculpa para não agir e seguir em frente;

2) não esconda nossas reações emocionais diante da transição.

Uma boa dica a esse respeito é sugerida por Herminia Ibarra, em Identidade de carreira. Essa professora, com a autoridade de alguém que lecionou comportamento organizacional em Harvard, Yale e Insead, sugere que a fase de reflexão seja acompanhada por experiências práticas, que possibilitem ao indivíduo testar novas atividades, novos relacionamentos e possíveis novas narrativas para sua continuidade da carreira.

O principal argumento é o de que sabemos quem somos quando vemos o que fazemos, ou seja, o autoconhecimento é mais pleno quando a reflexão vem acompanhada por testes e experiências investigatórias e exploratórias. Trata-se do método “testar e aprender”, ou “conhecer-fazer”, capaz de construir autoconhecimento por meio de experiências práticas e interações com outros indivíduos. Como escreveu Herminia:

“O aprendizado é circular e interativo; praticamos ações, um passo de cada vez, e respondemos às consequências dessas ações até que um padrão inteligível eventualmente comece e se formar. O autoconhecimento necessário não é nem uma “verdade interna” nem um “dado a ser computado” que possa iluminar o caminho no início do processo; é mais informação tangível sobre nós mesmos em relação a possibilidades específicas – informação que se acumula e se desenvolve durante todo o processo de aprendizado.” 

Em outras palavras, aja enquanto planeja! Não fique paralisado diante de um megaplano teórico. Combine ação com planejamento. Faça experimentos e busque pequenas e importantes vitórias. As maiores lições e pistas virão dessas experiências e dos relacionamentos que construir em torno delas.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

 

Mauricio A. de Paula

http://www.treasurybusiness.com.br

e-mail: mauricio@tresurybusiness.com.br

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